A lente capta mais que mera imagens, ela retirou a zona de espaço, o tempo de vida privada. Os indivíduos serão sempre objetos, imagens a serem estudadas e usadas contra eles mesmos. Por isso a sociedade está sempre apreensiva e na expectativa de ter a vida invadida por algo ou alguém. Ivo Lucchesi fala que, “A privacidade está morta pela simples razão de ela sentir-se sob suspeita”.
A rede midiática a serviço das macroáreas do poder conspira contra a privacidade à maneira que torna a sociedade uma massa de manobra, usando para isso a ar-ticulação de discursos voltados para as próprias. Para sobreviver a essas interfe-rências o indivíduo aciona mecanismos estruturados pelo próprio sistema, já que está incapacitado de encontrar o centro das coisas e de si, e, caracterizado pelo olhar ingênuo. Por isto Noam Chomsky coloca, “A mídia deixa cicatrizes no cére-bro”. Procurando seja pela cultura do corpo ou no encontro desesperado do espírito revitalizar-se e aí encontra sua face narcísica, e também a perda de si. Logo, de-sorientado pela falta, e recusa, do saber e marginalizado pela ação do poder, transfere o significado realmente importante para altos níveis de egoísmos. Tor-nando assim, o grande figurante dessa peça fílmica que nos encontramos hoje.
Temos referência a isto na música de Mosca e Nilo Robero,“... Sua meta é a seta, no alvo, mas o alvo, na certa, não te espera... eu olho pro infinito e você de óculos escuros... eu lanço minha alma no espaço e você pisa na terra... eu grito por liberdade e você deixa a porta fechar, eu corro todos os riscos, você diz que não tem mais vontade... Então me diz qual é a graça de já saber o fim da estrada quando se parte rumo ao nada...”.

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