quinta-feira, 26 de novembro de 2009
O cinema X Literatura
O cinema nos mostra possíveis mundos, imaginários prontos e definidos, já a literatura por mais que detalhista precisamos criar esse mundo. Ele (o cinema) omite a subjetividade quando poupa o espectador da construção, isso não ocorre na literatura, na tela está tudo pronto a obra está acabada. Enquanto na literatura é apenas oferecida a base.
Nós construímos todo na literatura, nela somos o cineasta. As cores, a forma, a textura, as expressões e tendo como finalizador os sentimentos e as emoções. De acordo com Umberto Eco: “Um texto é apenas um piquenique onde o autor entra com as palavras e os leitores, com o sentido”.Para desenvolver um sentido a partir das sensações e emoções é necessário o processo de experimentação. Segundo Wolfgang Iser: “O sentido não é algo mais a ser explicado mas sim um efeito a ser experimentado”.
Pela “telona” obtemos sensações e emoções, a rigor. A capacidade de compactação do filme pode, sim, gerar sentimentos e sensações adversas, mas também significados. Como exemplo, temos o filme “O Clube da Luta”, que para muitas pessoas é um filme violento, truculento, de causar repulsão, ignorando seu significado. No entanto outros espectadores têm a capacidade de “enxergar” além do óbvio, além da objetivação do olho da câmera, uma relação metafórica e singular do apolíneo e do dionisíaco.
A literatura fala das coisas o mundo, que foram ditas ou não, com formas e maneiras distintas. Já o audiovisual, em especial o cinema, cria imagens que não se encontram na natureza, ele mostra as coisas, inclusive as coisas da literatura. E assim gera uma nova experiência de mundo visível. E o mais importante tanto para literatura quanto para o cinema, ainda na esfera das imagens, o conseguir ver para se sentir, e, a capacidade de com o olhar realizar o pensar.
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